Campanha
Lá por já conhecer este “filme”, não significa que a ele esteja habituado: agora, de táxi, 15h, vindo da Avenida de Fernão de Magalhães passando pela Rua de Passos Manuel, existia grande azáfama e aglomeração de tráfego. Muitos carros oficiais, Mercedes, BMW e Audi, todos em segunda fila, muitos motoristas “oficiais” engravatados, muitos seguranças oficiais engravatados e de compleição física inconfundível e até um autocarro oficial da Câmara Municipal do Porto! De que se tratava afinal? Do almoço ou comes e bebes (?) no Majestic resultante da acção de campanha para a câmara do ainda ministro Pedro Duarte do governo de todos nós!
José Manuel Soares, Porto
Entrevista a Paulo Raimundo
Estando em causa as eleições legislativas do dia 18 de Maio de 2025, a RTP 1 convidou, há dias, o líder do PCP para uma entrevista. Como é suposto, o que interessa aos portugueses é serem informados sobre as propostas dos partidos relacionadas com a governação do país, e não é que o pivot do telejornal das 20h, passou os escassos 10 minutos da entrevista, nos quais era suposto exporem as propostas para os problemas que afectam a vida das pessoas, a metralhar o líder do PCP sobre a guerra na Ucrânia?!
No dia 1 de Abril, até parece mentira, a pivot da SIC Notícias, também no âmbito daquelas eleições, ao entrevistar o líder do PS, passou o tempo da entrevista a questioná-lo sobre o caso Montenegro, e as eleições presidenciais, considerando, ao que parece, que os reais problemas do país são de somenos importância.
Talvez se trate de estratégia, evitando que os respectivos líderes possam explanar, mas não muito, as suas propostas sobre os problemas da saúde, da educação, da habitação, da Justiça e da falta dela, da Defesa, da imigração, das redes sociais, e como se poderá mitigar os efeitos negativos que as mesmas estão a causar, entre muitos outros.
José Nogueira, Setúbal
O novo bastonário dos advogados
Disse o novo bastonário que acha que o principal (!?) problema da Justiça em Portugal são as custas judiciais. Incrível. O senhor bastonário disse isto literalmente, numa entrevista televisiva. Eu – e qualquer cidadão – consigo pensar em dez problemas bem mais importantes que as custas judiciais. Mas ele explicou porque é que pensa assim: porque as custas afastam os cidadãos da Justiça – ou seja, reduz o número de casos em tribunal e, consequentemente, reduz o número de casos nas mãos dos advogados e, logo, reduz o seu trabalho (e os seus proventos) – as últimas conclusões são minhas. O senhor bastonário diz que vai pugnar neste seu mandato para que seja possível os cidadãos recorrerem mais à Justiça, que é um direito constitucional (mais um direito entre muitos – habitação, saúde e muitos outros). Ou seja, acha que se deve promover a judicialização – tão generalizada quanto possível – dos diferendos entre cidadãos (esta frase também é minha). Para mim, há assuntos muito mais importantes para resolver no funcionamento da Justiça do que facilitar o aumento do número de casos em tribunal.
Fernando Vieira, Lisboa
Objectificação da mulher
A publicação do artigo de opinião de Maria João Marques, a 26 de Março, no vosso jornal, suscita legítima preocupação. A frase destacada, que relaciona o voto feminino com a “vagina” e a segurança contra agressões, é exemplo claro de objectificação da mulher.
A liberdade de expressão, princípio fundamental do jornalismo, não pode, não deve justificar a perpetuação de estereótipos sexistas. Reduzir a complexidade do voto feminino a um órgão sexual, é ignorar as motivações políticas e sociais das eleitoras, perigoso contributo para a desumanização das mulheres. Assim, este discurso não promove debate, antes alimenta hostilidade por quanto banaliza a violência e discriminação. O PÚBLICO, como órgão de referência, tem a responsabilidade de zelar por um debate público que respeite ideias bem fundamentadas. Apelo a uma reflexão sobre o papel do PÚBLICO na promoção de um discurso que combata a misoginia e o sexismo; a favor de ideias e nunca de soundbytes levianos.
Fátima Rolo Duarte, Lisboa
#Cartas #director #Opinião