Quando surgiu, em 1964, o Coro era composto por jovens mulheres das famílias ricas, que tocavam piano e falavam francês, e por homens pobres que aprenderam música no seminário ou nas filarmónicas.
As vozes ecoam na sala acompanhadas pelo piano. O maestro neerlandês Peter Dijkstra move os braços ao ritmo da música. De vez em quando manda parar e dá indicações aos cantores. O Coro Gulbenkian ensaia um excerto da Missa em Si menor, de Bach. Dentro de poucos dias, este grupo, que é apenas uma parte do coro, subirá ao palco para apresentar a obra do século XVIII, junto com a Orquestra Gulbenkian.
São 18h30 de uma segunda-feira. Muitos deles já desempenharam funções muito diferentes ao longo do dia. Este coro, constituído por cerca de 100 elementos, é semiprofissional e ensaia sempre em horário pós-laboral. Ali, de partitura na mão, estão profissionais das mais variadas áreas. Médicos, professores, engenheiros, advogados, enfermeiros, e até uma doula e uma diretora de uma rádio. Há quem diga que é essa diversidade que dá ao coro uma identidade única, que o distingue de outros coros a nível mundial. Mas, para os coralistas, estar ali obriga a uma gestão do tempo com muitos sacrifícios pessoais e familiares.
“Os ensaios são das 18h30 às 20h45 e, a partir do momento em que se tem filhos, não estar em casa na hora ‘nobre’, cria alguma dificuldade”, admite a soprano Verónica Milagres, diretora da Rádio Miúdos, uma rádio online feita por e para crianças.
O Coro Gulbenkian é uma das instituições culturais mais importantes do país e tem uma longa história, que começa no Estado Novo. Está a celebrar o seu 60.º aniversário com um documentário que chegou aos cinemas esta quinta-feira, intitulado “Coro: 60 anos do Coro Gulbenkian”, do realizador Edgar Ferreira. O filme, que mostra essa diversidade de perfis dos coralistas, está em exibição em cidades como Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra, Viseu e Funchal.
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