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De avó a tendência: este projeto usou a costura para empoderar mulheres com mais de 50 anos fora da vida ativa

Velhos são os trapos é uma expressão portuguesa que nunca se aplicou tão bem a um projeto. Para combater o isolamento e desenvolver a autoestima de mulheres acima dos 50 anos fora da vida ativa, uma iniciativa desenvolveu oficinas de costura, com direito a sessões fotográficas e até a um desfile de moda.

Desde 2013, a marca de roupa sustentável Vintage for a Cause promove oficinas para dar uma nova vida a peças de roupa sem uso, de forma a aumentar a autoestima das participantes que posteriormente vende ao público. Contudo, nem sempre a “confeção das peças ficava com um nível de qualidade que nos permitisse colocar essas peças no mercado”, explica Helena Antónia Silva, fundadora da iniciativa. Por esta razão, decidiram criar o projeto From Granny to Trendy.

Esta derivação também inclui oficinas de costura, onde qualquer mulher com mais de 50 anos e fora da ativa se pode inscrever, mesmo sem conhecimentos prévios de costura. “Não ensinamos costura de raiz nestes workshops, nós ensinamos técnicas de reaproveitamento criativo da roupa, que elas depois facilmente integram e podem replicar noutras peças”, explica. A ideia é “reaproveitar em vez de descartar” e transmitir esta ideia aos seus filhos ou netos, sendo “muito frequente elas dizerem que alteraram coisas em casa, que alteraram coisas para a filha e para os netos”.

Helena Silva explica que a decisão do projeto se centrar nas mulheres parte da realidade: as mulheres têm menos rendimentos e menos saúde. “Com a perda de papéis familiares e profissionais há uma propensão para a depressão”, por isso, o projeto From Granny to Trendy quis equilibrar a “componente da comunidade com a da autoestima”, procurando que se olhassem como mulheres e não só como mães ou como avós. Tudo isto junto à “componente mais técnica” de aprendizagem. No total, já participaram no projeto 120 senhoras de vários estratos sociais com a mais velha a alcançar os 82 anos.

Para trabalhar a autoestima e a imagem, as sessões de costura foram complementadas com atividades de empoderamento, como sessões fotográficas em que as participantes são as modelos. Tornaram-se oficinas de beleza sem idade onde aprendiam dicas de maquilhagem e de estilo. Nestes workshops, o objetivo era “normalizar o processo de envelhecimento” e mostrar como “se pode tirar partido da beleza” numa “pele madura”.

Vintage For A Cause

O momento alto do From Granny to Trendy foi um desfile para as participantes apresentarem as peças de vestuário recuperadas. Foi uma forma de sensibilização “contra a moda do desperdício”, mas também serviu para motivar a confiança nas senhoras. “A primeira sessão fotográfica é feita individualmente e as senhoras chegavam lá e desculpavam-se porque ‘eu estou gorda, porque eu não fiz a depilação’”, mas conforme as atividades foram avançando “e isso deixa de ser uma questão”. Depois, passaram “do extremo de nunca ter posto maquilhagem para querer colocar pestanas postiças”, conta a coordenadora da iniciativa.

Desfile final do projeto From Granny To Trendy

Sérgio Pereira – Realce Fashion & Lifestyle

Após a dinamização da iniciativa, a equipa quer que o clube continue ativo por iniciativa das próprias participantes. A maioria das senhoras está integrada no projeto como tutoras noutras oficinas de costura, como ajudantes nas lojas sociais de distribuição de roupa ou até como costureiras profissionais na Vintage for a Cause. Quando as Câmaras Municipais com as quais a Vintage for a Cause colabora precisam de apoio em atividades com crianças, por exemplo, também sugerem algumas voluntárias, o que faz as mulheres sentirem-se “valorizadas”.

Helena Silva explica que seria uma “perda de recursos” deixar as participantes “penduradas” no final do projeto, “porque se investiu imenso naquelas pessoas para ver uma transformação na forma como se vêm e na sua atitude”, além de que adquirem “rotinas de ir a um sítio e encontrar pessoas com quem gostam de estar”. A “regularidade já não é semanal, é quinzenal, os temas podem ir variando, mas é muito importante que o clube fique ativo”.

No decorrer do projeto, houve um aumento das capacidades de comunicação em cerca de 56%%, a sensação de pertença aumentou em quase 90%, enquanto a literacia sobre a economia circular e reaproveitamento dos têxteis aumentou em 78%. “Há, de facto, muita aquisição de conhecimentos, não só por causa daquilo que nós facilitamos, mas por causa da interação, do contexto de aprendizagem e de partilha de experiências e saberes entre elas”, assegura a coordenadora do projeto.

O From Granny to Trendy decorreu em cinco cidades: Porto, Gondomar, Guimarães, Esposende e Elvas. Após o término do projeto, em 2023, continuam a dinamizar oficinas em Esposende, Porto e Gondomar. A Câmara Municipal de Esposende decidiu ainda financiar a implementação da mesma metodologia com outras populações, como a comunidade migrante ou estudantes deslocados. Também em Espanha se dinamiza uma versão desta iniciativa, através do programa Erasmus +, onde a equipa portuguesa foi ajudar a formar um projeto piloto.

A ajuda imprescindível dos fundos comunitários

O projeto From Granny to Trendy recebeu o apoio financeiro de cerca de 54 mil euros através do programa Portugal Inovação Social, do qual cerca de 46 mil euros são provenientes do Fundo Social Europeu.

Antes de se candidatarem ao Portugal Inovação Social, a Vintage for a Cause já desenvolvia clube de costura para mulheres acima de 50 anos fora da vida ativa. “O projeto, que existia antes do Portugal Inovação Social, não tinha a mesma escala. O que foi possível fazer com os fundos europeus foi chegar a um número de pessoas muito maior e permitiu que nesses territórios o projeto ganhasse tração, que fez com que os municípios decidissem comprá-lo após o financiamento”, afirma Helena Silva.

Conhecer ideias que contribuem para uma Europa mais competitiva, mais verde e mais assente em direitos sociais são os objetivos do projeto Mais Europa.

Este projeto é cofinanciado pela Comissão Europeia, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver código de conduta), sem interferência externa. A Comissão Europeia não é responsável pelos dados e opiniões veiculados.

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