Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.
Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Se tem uma coisa que brasileiro sente falta no exterior é da comida da terra natal. Comer um pastel de queijo ou carne com caldo de cana ou saborear um bobó de camarão ou uma feijoada já não exige esforço. Não em Portugal, onde o cardápio com as delícias do Brasil é amplo e variado. As opções de restaurantes para matar a saudade daquele tempero da mãe e da avó se multiplicam pelo país.
O paulista Alexandre Saboya, 51 anos, dono do Soul Carioca, em Cascais, resolveu abrir o próprio negócio em 2018, depois de não encontrar os sabores que gostaria nos restaurantes que frequentava em Portugal. “Fui a alguns estabelecimentos e vi que enganavam o cliente, diziam que serviam comida brasileira, mas era decepcionante”, entrega ele. No cardápio do Soul Carioca, há pratos que fazem qualquer expatriado ficar com água na boca.
A tradicional feijoada brasileira, com caipirinha de limão
Rui Gaudêncio
Além da tradicional feijoada, há moqueca de camarão, picanha, bife à parmegiana, dadinho de tapioca e pastel frito, entre outras delícias. “É aquele gosto do pastel que a gente comia na casa da avó”, afirma. “Preparamos a caipirinha também, como se faz no Brasil, com limão, que é mais caro em Portugal, e não com lima”, observa. Nas sobremesas, sorvete artesanal de paçoquinha, doce de amendoim bastante desejado por quem cruzou o Atlântico.
A soteropolitana Elizabeth Almeida abriu a BRCacau, em Leiria, em setembro de 2020. Hoje, ela participa de eventos importantes, como o Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, que termina neste domingo (06/04). Apesar de sentir falta de um bom acarajé, ela apostou no doce mais popular do Brasil para atrair sua clientela. “Temos até brigadeiro de caipirinha”, conta Elizabeth que, numa festividade como a da vila medieval de Óbidos, produz cerca de cinco mil brigadeiros por mês.
A baiana Elizabeth Almeida abriu a BRCacau, em Leiria, onde o doce preferido é o brigadeiro
Arquivo pessoal
Na BRCacau, ao lado do filho, Gabriel Chaves, 27, ela também vende beijinho, cajuzinho, casadinho, sabores que fazem qualquer brasileiro suspirar de tanta nostalgia. E tudo começou quando Elizabeth levou, sem compromisso, brigadeiros para uma festa entre amigos. “Gostaram tanto, que começaram a me incentivar a abrir uma loja”, diz ela, que ainda trabalha com eventos, como casamentos, e revende sua mercadoria em pastelarias e cafés de Portugal.
A empreendedora baiana, que trabalhou como professora universitária durante os 20 anos que morou no Rio de Janeiro, destaca o bolo de cenoura com chocolate como outro queridinho entre os brasileiros. “É o que sempre acaba primeiro na loja”, garante ela, que chegou a Portugal há seis anos.
Donos do Outbêco de São Domingos de Rana, Denise e Cláudio, com o filho Luiz, oferecem à clientela coxinha de costela
Arquivo pessoal
Coxinha de costela
Donos da franquia do Outbêco de São Domingos de Rana (há também em Almada, Odivelas, Caldas da Rainha, Braga, Matosinho e a recém-inaugurada franquia de Coimbra), os cariocas Cláudio Teixeira e Denise Borges, ambos de 54 anos, admitem que o nome foi escolhido propositalmente para remeter o freguês ao Outback Steakhouse. Até a faca usada no estabelecimento, aberto em 2023, é parecida com a da cadeia de restaurantes norte-americana.
No Outbêco, a exemplo do original, ribs com molho barbecue não podem faltar. “As pessoas que gostavam de ir ao Outback vão ao nosso restaurante”, comenta Denise, que ainda serve pastel e coxinha de costela desfiada e picanha importada da América do Sul. “Também temos aquela cebola grande, em formato de flor”, avisa, referindo-se a um clássico do Outback. A decoração do ambiente faz a alegria dos saudosos, com imagens do Corcovado e do Pão de Açúcar, cartões-postais icônicos do Rio de Janeiro, onde a marca Outbêco surgiu, precisamente, no bairro da Pavuna.
Para quem comemorava o aniversário com os garçons cantando “parabéns pra você”, em alto e bom som no Outback, Denise e Cláudio não deixaram a ideia para trás. “Nós até apagamos as luzes do salão para ficar ainda mais legal”, ressalta ele. O casal veio morar em solo português em 2020, com o filho, Luiz Eduardo Borges, 20, que, além de fazer faculdade em gestão, trabalha com os pais.
Júlio Damasceno faz muito brasileiro voltar à infância com sacolés de morango, abacate, milho e maracujá
Arquivo pessoal
Sorvete de saquinho
E quem se lembra do sacolé? O sorvete em saquinho que marcou uma geração pode ser encontrado em Leiria. Proprietário do Sabores do Melhor, Júlio Cézar Damasceno, 40, faz muito brasileiro voltar à infância com sacolés de morango, abacate, milho, maracujá. “No verão, não tem quem resista”, festeja ele, que também vende açaí. “Esse tem saída o ano inteiro, até no frio. O brasileiro adora açaí”, diz.
O pequeno restaurante atrai, desde 2020, uma freguesia que também não abre mão de um bife acebolado ou à milanesa ou de uma carne de panela com batata. “As pessoas dizem que os nossos pratos têm gostinho de comida de mãe”, sublinha ele, que deixou Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para viver em Portugal com a mulher, Sulla, 38, em 2019.
O português João Pires e a mulher, Néia: ele capricha no bobó de camarão
Arquivo pessoal
E tem até português fazendo bobó de camarão. Casado com uma paranaense, João Pires, 62, abriu o Taba há cinco anos, em Cascais. “Eu costumo dizer que eu sou a fraude do negócio”, brinca ele. “Antigamente não havia tantos restaurantes brasileiros como há hoje. Em Portugal, não se fazia essa mistura do feijão com o arroz”, ressalta.
Chef do estabelecimento, ele aprendeu a fazer pratos típicos baianos, como vatapá e moqueca, com a experiência de quem está no ramo há 26 anos e, de vez em quando, visita o país da mulher, Néia, 53. “São receitas da Bahia adaptadas, com menos leite de dendê, por exemplo. É um pouco mais suave, mas muito gostoso”, garante Pires.
Na Costa da Caparica, o mineiro Jadir Pereira serve o famoso pastel de feira
Arquivo pessoal
Pastel de feira
Na Costa da Caparica, região de praias disputadas no verão europeu, os brasileiros podem se refrescar com um caldo de cana geladinho (com ou sem limão) no Ateliê dos Sabores. O proprietário, Jadir dos Santos Pereira, 56, de Governador Valadares, Minas Gerais, lembra que, quando chegou em Portugal, há 22 anos, não tinha tanta oferta de iguarias brasileiras. “Não se achava quase nada”, enfatiza. “Agora, é bem mais fácil encontrar o que se come no Brasil”, emenda.
O Ateliê dos Sabores vende pastel de feira, salgadinhos, feijoada, tapioca e, claro, pão de queijo, eleito, em 2023, como o terceiro melhor item do café da manhã do mundo pelo site de gastronomia TasteAtlas. “É uma fornada atrás da outra”, orgulha-se o mineiro.
#Deu #saudade #daquela #comidinha #brasileira #Há #opções #sobra #Portugal #Gastronomia