“… Há outros critérios a ter em conta na elaboração deste trabalho (pese embora o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas inúmeras pessoas envolvidas e imprensa em particular, a quem felicito) que faça jus à designação atribuída. Apresento alguns a ter em conta de futuro e outros a que deverá ser atribuído maior valor: estabilidade do corpo docente, empenho e estudo por parte dos alunos, apoio extra-escola (explicações), situação socioeconómica das famílias, habilitação média dos pais e encarregados de educação, percentagem de alunos apoiados pela ação social escolar, número de exames aplicados em cada escola, valor acrescentado ao aluno desde que entra na escola até que sai (o novo indicador de sucesso — Percursos diretos de sucesso — é um precioso avanço neste sentido), etc.”, Filinto Lima, in Rádio Renascença, 17.12.2016
Passados mais de oito anos, estas palavras parecem ter sido acolhidas (ainda que parcialmente) pelo PÚBLICO, ciente da miscelânea de critérios que devem ser introduzidos para elaborar um ranking das escolas mais fidedigno, se bem que ainda imperfeito, por acomodar preferencial e invariavelmente a média dos resultados dos exames nacionais, criando leituras enviesadas, falsas, cientificamente débeis, comparando o incomparável.
O trabalho extenuante que hoje é dado a conhecer nestas páginas evidencia uma melhoria notável no respeitante ao objetivo a que se propõe e, por isso, merece um olhar mais atento do que em anos anteriores, preterindo comparações, devido à mudança da metodologia, apesar de o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) não ter disponibilizado dados úteis para a análise (ex. contexto socioeconómico das escolas privadas).
E os resultados são uma “surpresa”!
O ranking da superação favorece as escolas que mais “puxam” pelos alunos (para cima) face ao que era expectável e, pelo facto, a tabela classificativa é bastante mais dissonante do que as dos anos anteriores, quer em relação à tentação da comparabilidade entre ensino público e privado, quer relativamente às escolas dentro de cada modalidade de ensino. A nota média obtida nas provas finais de 9.º ano de escolaridade e nos exames do ensino secundário não condiciona a superação concretizada pelas escolas que, preponderando o trabalho de elevada qualidade realizado com os alunos, ultrapassam (por vezes, não!) as limitações que seriam esperadas.
As comunidades educativas devem relativizar o valor do ranking das escolas, mas nunca desprezá-lo, analisando os respetivos resultados nos fóruns próprios (conselhos pedagógicos e gerais), continuando a gizar estratégias que ajudem a ultrapassar as dificuldades prevalentes.
O caminho está a ser construído há 19 anos, mas deverá ser aperfeiçoado com a introdução de mais critérios, entre os quais alguns obtidos após o ensino secundário: melhor preparação dos alunos para: (i) o acesso e conclusão do ensino superior em menos anos, sabendo-se que no ensino universitário, a taxa de abandono é elevada por impreparação dos discentes, e (ii) o ingresso efetivo na vida ativa.
Estamos cada vez mais perto, pese embora ainda longe, de um ranking que valorize o trabalho efetuado diariamente nas escolas para todos, com todos, mesmo todos os alunos, onde professores, técnicos especializados e superiores, assistentes técnicos e operacionais se superam na entrega empenhada nas funções respetivas, preparando os discentes para um futuro promissor, que lhes proporcione a felicidade almejada por qualquer comum dos mortais.
O autor escreve segundo as regras do novo acordo ortográfico
#Ranking #escolas #superação #caminho #opinião #Filinto #Lima #Opinião