Vivo Novidades

Blog Post

Vivo Novidades > Economia e Finanças > Risco político e social lidera preocupações das empresas. “Compromisso” dos trabalhadores sobe ao top 5

Risco político e social lidera preocupações das empresas. “Compromisso” dos trabalhadores sobe ao top 5

Num momento em que Portugal se prepara para ir (mais uma vez) a eleições legislativas, as empresas portuguesas colocam a instabilidade política e social no topo das suas preocupações para 2025, revela o estudo anual da Marsh. Temas associados aos colaboradores, como a retenção de talento e o compromisso dos colaboradores destacam-se no top 5 dos riscos identificados para este ano.

Mais de metade das empresas inquiridas (54%) aponta a instabilidade política e social como o principal risco em 2025, revela o estudo ‘A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos’, realizado pela Marsh Portugal, empresa do grupo Marsh McLennan, e apresentado esta quinta-feira. Na lista seguem-se os ataques cibernéticos (47%), retenção de talento (45%), eventos climáticos extremos (38%) e compromisso de colaboradores (22%).

“As empresas este ano estão muitíssimo preocupadas com a estabilidade económica e como a instabilidade política e social pode aumentar a incerteza“, explica Fernando Chaves, risk specialist da Marsh Portugal, ao ECO. O especialista destaca que o facto de as empresas apontarem os eventos climáticos extremos como a maior preocupação a nível global mostra que o maior risco interno apontado é “local.

É uma resposta muito associada à instabilidade tanto do ponto de vista político, como do ponto de vista social“, justifica.

Um ano depois de ter eleito um novo governo, Portugal prepara-se para ir novamente às urnas eleger outro Executivo, depois de Luís Montenegro ter visto rejeitada uma moção de confiança no Parlamento, precipitando o país para um cenário de eleições antecipadas.

Os empresários criticam o clima de instabilidade e mostram grande preocupação com as consequências económicas desta crise política. A execução dos fundos europeus, a incerteza de consumidores e investidores e a imagem internacional de Portugal são alguns dos pontos que levantam mais preocupação.

As empresas este ano estão muitíssimo preocupadas com a estabilidade económica e como a instabilidade política e social pode aumentar a incerteza.

Fernando Chaves

Risk Specialist da Marsh Portugal

A instabilidade política e social é, assim, apontada como o principal risco pelo segundo ano, depois de em 2023 terem sido destacados os ataques cibernéticos e em 2022 as empresas terem apontado falha na cadeia de fornecimento. À exceção deste ano e do último é preciso recuar a 2016 e 2017 para ter estas questões no topo dos riscos considerados pelas empresas.

Além da situação política, que resulta num clima de crescente incerteza, Fernando Chaves realça que “estamos numa fase de quase pleno emprego, o que acontece é que a nossa população também tem sofrido alterações e as empresas tiveram que recorrer a mão-de-obra estrangeira”. Uma realidade que está a “alterar a forma de gerir a cultura da organização que é mais diversa“.

O especialista explica que as empresas passam a ter que gerir uma população multilingue, que vem juntar-se aos desafios de gerir várias gerações, com prioridades diferentes. Temas como o trabalho remoto após a pandemia forçaram as organizações a adaptarem-se rapidamente a uma nova realidade. E, no caso dos mais jovens, este tema assume extrema relevância na escolha de um cargo profissional, com alguns a rejeitarem ofertas se não puderem trabalhar num regime à distância ou híbrido.

“Terá que haver uma flexibilidade de ambas as partes”, refere o especialista da Marsh, que afasta um cenário em que se regresse a 100% ao escritório, até pela mudança na vida de muitos trabalhadores, que, perante custos de vida e preços das casas mais elevados, se mudaram para fora dos grandes centros.

Face aos resultados de 2024, a grande mudança na lista de riscos identificados pelas empresas é a entrada do compromisso dos trabalhadores – ou a falta dele – para o top 5. Este risco está relacionado com o envolvimento e a motivação dos colaboradores, que são vistos como fatores críticos para o sucesso organizacional. “A falta de compromisso pode levar a uma diminuição da produtividade e a um aumento da rotatividade”, aponta o estudo. “O compromisso dos colaboradores ganha maior relevância”.

“O compromisso em funções intermédias e em idades mais jovens é mais difícil de assegurar”, justifica o risk specialist da Marsh Portugal. De modo global, o responsável refere que “há maior peso das questões associadas a pessoas. Claramente ganharam maior força”.

PME vs grandes empresas

O estudo revela, porém, uma distinção entre as pequenas e médias empresas (PME) e as grandes empresas. Enquanto as empresas de dimensão inferior elencam os riscos políticos e sociais, para as maiores empresas a retenção de talento é a maior preocupação.

O especialista da Marsh destaca que as empresas maiores sofrem mais com a concorrência e a rotação de colaboradores, enquanto as PME estão mais dependentes da situação política para as suas decisões.

No contexto internacional, as empresas portuguesas apontam os eventos climáticos extremos como a maior preocupação, que são “reconhecidos como uma ameaça significativa, especialmente entre os respondentes dos setores de agricultura, alimentação e bebidas, turismo e instituições financeiras, nos quais as condições ambientais afetam diretamente a atividade de negócio”, refere o estudo.

O crime cibernético e uma estagnação económica prolongada ocupam a segunda e terceira posição, respetivamente.

Para a realização do seu estudo, a Marsh questionou 160 empresas, representativas de vários setores e de diferentes dimensões, sendo que 19% estão cotadas em bolsa.

#Risco #político #social #lidera #preocupações #das #empresas #Compromisso #dos #trabalhadores #sobe #top

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *