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Velocidade furiosa da guerra comercial faz tremer de medo os mercados globais

As bolsas europeias registaram a pior sessão desde 2020, com dois dos principais índices (o Stoxx Europe 600 e o alemão Dax) a entrarem em terreno de correção. No outro lado do lado Atlântico, as bolsas prolongam as fortes quedas de quinta-feira e o dólar oscila de forma imprevisível.

O preço do petróleo afunda, enquanto os investidores fogem dos ativos de risco para portos seguros como a dívida soberana, assustados pela resposta chinesa às tarifas de Donald Trump e os avisos do presidente da Reserva Federal sobre o acelerar da inflação e o travar da economia. Tudo isto ilustrado perfeitamente pelo disparo de 45 pontos no índice do medo em Wall Street. “Caos”, resumiram os analistas do Lloyds Bank.

O anúncio por Donald Trump na quarta-feira sobre as novas tarifas aduaneiras que os Estados Unidos vão impor a dezenas de países à volta do mundo já tinham abalado os mercados mundiais na quinta-feira, causando fortes quedas nos mercados acionistas, incluindo um tombo de 6% do tecnológico Nasdaq.

Foi um início rápido e furioso para o mundo em abril, um mês que será ainda mais ofuscado do que já foi pela agenda tarifária de Trump“, referiu Hans-Jörg Naumer, diretor de global capital markets and thematic research na Allianz Global Investors.

“A incerteza está a aumentar para a economia global e para os mercados de capitais, enquanto as tarifas comerciais são uma chave de fendas no funcionamento do motor económico mundial, tornando a vida mais cara para todos”, sublinhou, num resumo apto para o atual momento de tensão.

O último dia da semana acabou por prolongar a tendência, de leste a oeste. Depois de a Bolsa de Tóquio ter fechado a cair 2,75%, a sessão acionista europeia abriu com fortes descidas, com os títulos da banca em destaque pela negativa. Em Lisboa, o BCP – único banco cotado no índice PSI – fechou a tombar 9,43% para 0,49 euros, na pior sessão desde 10 de junho de 2022 e a fechar abaixo do patamar de meio euro pela primeira vez desde 17 de janeiro deste ano. O índice do setor financeiro na Europa fechou a perder 8,43%.

Entre os índices europeus, a italiano FTSE MIB perdeu 6,53%, o espanhol IBEX 5,83% e o português PSI 4,75% registando a pior sessão desde o início da pandemia, a 18 de março de 2020. O alemão DAX caiu 5%, confirmando que está em território de correção, ou seja, mais de 10% abaixo o último pico.

Ações do BCP caem abaixo dos 50 cêntimos

“Olho por olho”

A meio da sessão chega mais uma ‘bomba’ no conflito comercial, com a China a anunciar que vai aplicar taxas adicionais de 34% sobre todas as importações provenientes dos Estados Unidos, numa resposta às tarifas recíprocas por Trump, as quais considera um “exemplo típico de intimidação unilateral“

“Esta situação é significativa e é pouco provável que termine, daí as reações negativas do mercado”, afirmou Stephane Ekolo, estratega de mercados e ações na Tradition, citado pela Reuters. “Os investidores receiam uma situação de guerra comercial do tipo ‘olho por olho’.”

Com esta novidade sombria, os três principais índices em Wall Street abriram em queda e às 19h39 de Lisboa negociavam com recuos de mais de 5%. O Nasdaq deverá entrar em território ‘urso’ (bear market), ou seja, mais de 20% abaixo do último recorde, com a Tesla e a Apple – duas empresas com larga exposição à produção na China – em destaque, com descidas de 9% e 5,7%, respetivamente.

O nervosismo nos mercados ficou ilustrado pelo disparo no Vix, o Cboe Volatility Index, um indicador baseado em opções da ansiedade dos investidores em ações sobre as perspetivas de curto prazo do mercado, que subiu 15,54 pontos para 45,56 pontos, o seu valor mais alto desde agosto. Ao final da tarde o VIX subia 10,70 pontos, ou 35%, para 40,72 pontos.

Um VIX a 40 é um sinal de medo, com certeza. Normalmente, o valor de 40 pontos é superior ao da venda habitual… algum tipo de risco de crédito, risco de margem, algo que possa causar um contágio que se estenda a outras classes de ativos.

Joe Tigay

Gestor de carteira no Rational Equity Armor Fund

“Um VIX a 40 é um sinal de medo, com certeza”, disse Joe Tigay, gestor de carteira do Rational Equity Armor Fund, à Reuters. “Normalmente, o valor de 40 pontos é superior ao da venda habitual… algum tipo de risco de crédito, risco de margem, algo que possa causar um contágio que se estenda a outras classes de ativos”, disse.

Receios de recessão

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, expressou as razões por trás desse medo. “É demasiado cedo para dizer qual será o caminho apropriado para a política monetária”, avisou. Porém, sabe já que as tarifas anunciadas por Trump superaram largamente as expectativas e “o mesmo será verdade para os efeitos económicos, que inclui inflação mais elevada e um crescimento mais lento“.

O banco de investimento J.P. Morgan aumentou para 60% a probabilidade de a economia mundial entrar em recessão até ao final do ano, contra 40% anteriormente.

Com os receios de recessão a ganharem força e os mercados acionistas em queda livre, os investidores abraçaram o refúgio em títulos de dívida soberana. As obrigações a 10 anos dos EUA negoceiam atualmente com uma yield de 3,98%, tendo chegado a negociar nos 3,884%, 17 pontos base abaixo do fecho de quinta-feira, atingindo o nível mais baixo dos últimos seis meses.

Números fortes do emprego nos EUA, com a criação de 228 mil postos de trabalho em março, superando as estimativas dos analistas de 135 mil postos, deram apenas algum alento.

“Os números mais fortes do emprego nos EUA parecem história antiga“, disseram os analistas do banco de investimento neerlandês ING. “Mas estamos agora num ambiente totalmente novo, que parece ser um lugar muito mais sombrio, com os consumidores e as empresas cada vez mais ansiosos, as perspetivas para o mercado de trabalho estão a deteriorar-se”.

As perspetivas de uma recessão, aliadas ao aumento da produção do cartel OPEP+ pressionaram os preços do petróleo, com o barril de Brent, cotado em Londres e que serve de referência às importações europeias, a cair 4,45%, para 65,67 dólares, enquanto o WTI, negociado em Nova Iorque, recuava 4,02%, para 62,09 dólares. Ambos os benchmarks caminham para as maiores perdas semanais em termos percentuais em meio ano.

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